O tratamento de canal, ou tratamento endodôntico, remove a polpa inflamada ou infectada do interior do dente, limpa e desinfeta os canais da raiz e os preenche para evitar nova contaminação. Ele permite, em muitos casos, manter o dente natural em vez de extraí-lo. É realizado com anestesia local e costuma ser concluído em uma a três consultas, seguidas da restauração definitiva do dente.
O que acontece com a polpa do dente
Dentro de cada dente existe a polpa, um tecido com nervos, vasos sanguíneos e tecido conjuntivo, que ocupa a câmara central e se estende pelos canais da raiz. Ela pode inflamar ou infeccionar por diferentes motivos:
- cárie profunda que alcança a polpa;
- trincas ou fraturas no dente;
- traumas, como pancadas, mesmo sem fratura visível;
- restaurações profundas ou repetidas no mesmo dente.
Quando a inflamação é leve e reversível, às vezes uma restauração resolve. Quando a polpa está irreversivelmente inflamada, necrosada ou infectada, o tratamento de canal pode ser indicado. Sem tratamento, a infecção pode se espalhar para o osso ao redor da raiz e formar um abscesso.
Sinais que podem levar à avaliação
Alguns sintomas sugerem que a polpa pode estar comprometida:
- dor espontânea ou que piora à noite;
- sensibilidade ao frio ou ao calor que demora a passar;
- dor ao morder ou ao tocar o dente;
- escurecimento do dente;
- inchaço na gengiva ou uma pequena bolha que solta pus perto da raiz;
- inchaço no rosto.
Também é possível que a polpa esteja comprometida mesmo sem sintomas, o que às vezes só é percebido em radiografias. O diagnóstico é feito com exame clínico, testes de sensibilidade e exames de imagem.
Procure atendimento rápido se houver inchaço no rosto, febre, dificuldade para abrir a boca ou engolir, ou piora importante da dor. Antibióticos podem ser indicados em algumas situações, mas sozinhos não eliminam a causa da infecção dentro do dente.
Como o tratamento é realizado
As etapas podem variar conforme o dente e a situação, mas geralmente incluem:
- Anestesia local da região.
- Isolamento do dente com um lençol de borracha, que mantém a área limpa e seca e protege a boca.
- Acesso ao interior do dente por uma pequena abertura na coroa.
- Limpeza e modelagem dos canais com instrumentos específicos e soluções desinfetantes.
- Obturação, que é o preenchimento e a vedação dos canais.
- Selamento provisório ou restauração da abertura.
Dependendo do caso, o tratamento pode ser concluído em uma consulta ou dividido em mais sessões, por exemplo quando há infecção que precisa de medicação dentro do canal entre as visitas.
Dor e anestesia
O receio de dor é uma das maiores preocupações de quem precisa de tratamento de canal. Com anestesia local e as técnicas atuais, o procedimento costuma ser comparável, em conforto, a uma restauração comum. Muitas vezes, o tratamento é justamente o que alivia a dor causada pela inflamação.
Em casos de inflamação intensa, a anestesia pode exigir mais atenção, e o profissional pode complementar a técnica. É normal sentir pressão e vibração durante o atendimento. Se sentir dor, avise: é possível parar e reforçar a anestesia.
Para quem tem ansiedade em relação ao dentista, vale comentar isso antes de começar. Combinar um sinal para pausar, entender cada etapa antes que ela aconteça e saber quanto tempo a sessão deve durar ajudam a tornar o atendimento mais tranquilo.
Cuidados depois do procedimento
Nos primeiros dias, é comum o dente ficar sensível ao mastigar. Esse desconforto costuma melhorar em poucos dias e pode ser controlado com as orientações do profissional. Algumas recomendações frequentes:
- evitar mastigar alimentos duros do lado tratado até a restauração definitiva;
- manter a escovação e o fio dental normalmente;
- usar os medicamentos apenas conforme prescrição;
- não adiar a restauração final.
Dentes que passaram por tratamento de canal, principalmente os posteriores, costumam precisar de uma restauração reforçada ou de uma coroa para reduzir o risco de fratura. Saiba mais sobre essa etapa no artigo sobre prótese dentária.
Entre em contato com a clínica se a dor piorar depois de alguns dias, se aparecer inchaço, febre ou se a restauração provisória cair. Na Meraky, o tratamento de canal faz parte da área de dor e tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um cirurgião-dentista. Cada caso precisa de avaliação individual para definir diagnóstico, indicação e cuidados.
Fontes consultadas: Cleveland Clinic — Root Canal; Cleveland Clinic — Pulpitis; Cleveland Clinic — Periapical Abscess; American Dental Association (MouthHealthy) — Top Ten Dental Topics.
Perguntas frequentes
Tratamento de canal dói?
O procedimento é feito com anestesia local e costuma ser comparável, em conforto, a uma restauração comum. Pode haver sensibilidade ao mastigar nos dias seguintes, que geralmente melhora com as orientações do profissional.
Quantas sessões são necessárias?
Depende do dente e da situação. Muitos tratamentos são concluídos em uma consulta, enquanto casos com infecção ou anatomia complexa podem precisar de duas ou três sessões.
Antibiótico resolve a infecção sem fazer canal?
O antibiótico pode ajudar em algumas situações, mas sozinho não remove o tecido infectado de dentro do dente. Para eliminar a causa, é preciso tratar o canal ou, em alguns casos, extrair o dente.
O dente fica fraco depois do tratamento de canal?
O dente pode ficar mais sujeito a fraturas, principalmente quando perdeu muita estrutura. Por isso, muitas vezes é indicada uma restauração reforçada ou uma coroa após o tratamento.